Olá marujos. Olhem a lua! Hoje a noite será diferente. É a noite de todos os espíritos, de todos os deuses. Acendam velas, com cuidado, tragam todos os santos e imagens. Nossas orações se elevarão aos céus assim como nosso urros nos dias de tempestade. Tragam todas as suas crenças e sua fé, elas nos guiarão até nossa terra sagrada, onde tudo cresce e tudo dá.
-Abre o teu coração, ou eu arrombo a janela.
-É Chico, não é?
-É sim.
-Gosto muito dessa frase, é bonitinha.
-Então deixa eu te conhecer.
-O que você quer saber de mim? Eu não tenho nada pra falar.
-Claro que tem. Quando você olha para mim e ri, o que você está pensando?
-Em nada.
-E esses seus textos que você nunca deixa eu ver.
-Por que você quer tanto ler meus textos?
-Ler o que uma pessoa escreve é um jeito de conhecê-la, e você nunca me deixa saber sobre você.
-Eu mostro, um dia eu mostro.
-Ou mostra teus textos ou diz logo quem é. Você confia em mim?
-Você confia?
-Não sei... Você me confunde muito, acho que eu deveria confiar mais.
-Por que eu te confundo? Por que deveria confiar mais?
-Eu deveria confiar mais em você por que quero que você me conheça tanto quanto eu quero te conhecer; você me confunde por que... Você não sabe quem é, e tem medo que os outros descubram antes mesmo de você. Não é?
-Sim...
-E você sabe que as pessoas em sua volta fazem parte de você, e tem medo disso, medo de mudar também, medo de ser julgada, de...
-Para com isso! Você fica sempre me perguntando coisas, me analisando, o que você quer?
-Eu...
-Você também tem medo! Todo racional, precisa saber de tudo antes de dar um passo. Tem medo de se arriscar, odeio isso.
-Mas você continua falando comigo. Por quê?
-É... é diferente quando eu estou com você.
-É diferente quando eu estou com você também. Você tem razão, eu também tenho medo.
-Medo de quê?
-Medo de desviar a tua estrela. Medo de te fazer mal.
-Me conhecer não vai impedir que isso aconteça.
-Mas posso me afastar antes que fique tudo pior.
-Não precisa se afastar com medo de me influenciar.
-Preciso sim. Eu não sou uma pessoa normal...
-Eu não te entendo. Você me confunde também. Você me quer perto ou longe afinal? Ficar entre as duas coisas já é o suficiente para você? Por que não é suficiente para mim.
-Eu não sei...
-Agora sou eu quem estou dizendo. Ou gosta de mim ou não. Eu não posso te dizer tudo o que sei sobre mim por que eu mesma não sei tudo. Você que tem que descobrir isso, se aproximando de mim, fazendo parte da minha vida.
-...
-Diz alguma coisa.
-Eu... Eu não consigo.
-Me desculpe então, mas eu não quero mais ser a sua posição confortável.
-Espera!
-O que foi?
-Eu... É difícil falar, eu sou um escritor, e só o que sei é escrever. É difícil fazer as palavras sairem.
-Eu preciso ser mais do que uma leitora na sua vida.
-Você é!
-O que eu sou? Me diz o que eu sou!
-Você é... Você...
-Diz!
-Você é...
domingo, 29 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
O amor da minha vida pega ônibus no Eldorado
Olá marujos. Alguém já conseguiu achar? Não? Por onde anda aquela estrela que tem guiado nossa viagem? Nuvens cruéis... Para que isso? O que podem ganhar me separando daquela que brilha e faz luz? Nunvens cruéis, cruéis...
Aos poucos tenho me acostumado com essa rotina de ônibus. Não que não pegasse ônibus antes, pegava sim uma vez ou outra, mas todo dia é outra história. Cotumava ir e voltar do colégio com uma pirua escolar, não precisava de muito mais que isso. Qualquer outra atividade que eu pudesse fazer no período da tarde eu dava um jeitinho para me locomover, com carona, o que conseguisse.
No entanto, nos últimos seis meses minha vida mudou muito, mudei de casa, de bairro, de cidade e supreendentemente continuei no mesmo colégio. Daí a dificuldade em achar outra pirua. Acabei tendo que pegar ônibus mesmo, nem reclamei, já estava na hora mesmo.
Minha rotina é bem complicada (sei que muitos não vão achá-la tão complicada assim, mas perdoem esse garoto que ainda não viveu tudo). Apesar de existir um ponto de ônibus na frente do meu apartamento, sou obrigado a andar durante 20 minutos até uma rodovia próxima para pegar um ônibus intermunicipal. Com o passar dos dias, o tempo aparente vai diminuindo, estou tão acostumado que quando saio de casa mal percebo o andar nas calçadas, o atravessar as ruas, o desmaiar dos bêbados.
O primeiro ônibus que eu pego já foi bastante interessante. Isso por que eu sempre encontrava alguém para conversar, professores do meu colégio na maioria, alguns colegas, mas principalmente uma estudante de letras que costumava ler meus textos. Foi para a Itália e os ônibus cheios começaram a perder a graça. Troquei por um mais caro, mas que vai muito mais vazio.
O segundo ônibus é aquele que pego depois da aula para ir ao cursinho. Torço todo o dia para que esteja vazio, ou pelo menos com uma cadeira vazia. Isso por que é um dos poucos momentos que eu tenho para dormir e como desço no ponto final, não preciso me preocupar. Quando não durmo é por que estou voltando com um amigo do colégio que gosta de discutir sobre uma infinidade de assuntos. Troco fácil uma noite de sono por uma boa discussão.
Meu último ônibus eu pego já de noite, por volta das nove horas. Não tenho clima para conversas ou discussões, tento ler livros mas o cansaço não me deixa, tento estudar mas meu bom senso não me deixa, os jogos de celular me dão dor de cabeça. Solução? Olhar pela janela. Ver pessoas com quem nunca vou conversar, lugares onde nunca vou entrar. Dá até certa angústia, ver tanta coisa lá fora passando assim facilmente, como se não fossem tão importantes, como se não pudessem mudar a minha vida. Isso até chegar ao Eldorado.
Para quem não conhece, quando digo Eldorado, estou falando de um shopping center muito movimentado na região de pinheiros. Lá existe um ponto de ônibus que, no meu horário, costuma estar lotado. Como saio do ponto final, normalmente chego no Eldorado sentado sozinho em um dos bancos. As portas se abrem e parece que o mundo inteiro entra naquele ônibus. Essa hora já deixei de olhar pela janela e começo a olhar para a catraca. Tanta gente, tanta gente... Será que o amor da minha vida está por ali? Todo o dia olho para a cara daquelas pessoas esperando quem vai sentar do meu lado, quem vai mudar a minha vida. Ainda não aconteceu.
Desço do ônibus com o alívio da noite gelada. Não vou depressa para casa, faço hora andando bem devagar, difícil achar São Paulo assim tão calma e silenciosa, dá até vontade de deitar no chão e dormir.
Aos poucos tenho me acostumado com essa rotina de ônibus. Não que não pegasse ônibus antes, pegava sim uma vez ou outra, mas todo dia é outra história. Cotumava ir e voltar do colégio com uma pirua escolar, não precisava de muito mais que isso. Qualquer outra atividade que eu pudesse fazer no período da tarde eu dava um jeitinho para me locomover, com carona, o que conseguisse.
No entanto, nos últimos seis meses minha vida mudou muito, mudei de casa, de bairro, de cidade e supreendentemente continuei no mesmo colégio. Daí a dificuldade em achar outra pirua. Acabei tendo que pegar ônibus mesmo, nem reclamei, já estava na hora mesmo.
Minha rotina é bem complicada (sei que muitos não vão achá-la tão complicada assim, mas perdoem esse garoto que ainda não viveu tudo). Apesar de existir um ponto de ônibus na frente do meu apartamento, sou obrigado a andar durante 20 minutos até uma rodovia próxima para pegar um ônibus intermunicipal. Com o passar dos dias, o tempo aparente vai diminuindo, estou tão acostumado que quando saio de casa mal percebo o andar nas calçadas, o atravessar as ruas, o desmaiar dos bêbados.
O primeiro ônibus que eu pego já foi bastante interessante. Isso por que eu sempre encontrava alguém para conversar, professores do meu colégio na maioria, alguns colegas, mas principalmente uma estudante de letras que costumava ler meus textos. Foi para a Itália e os ônibus cheios começaram a perder a graça. Troquei por um mais caro, mas que vai muito mais vazio.
O segundo ônibus é aquele que pego depois da aula para ir ao cursinho. Torço todo o dia para que esteja vazio, ou pelo menos com uma cadeira vazia. Isso por que é um dos poucos momentos que eu tenho para dormir e como desço no ponto final, não preciso me preocupar. Quando não durmo é por que estou voltando com um amigo do colégio que gosta de discutir sobre uma infinidade de assuntos. Troco fácil uma noite de sono por uma boa discussão.
Meu último ônibus eu pego já de noite, por volta das nove horas. Não tenho clima para conversas ou discussões, tento ler livros mas o cansaço não me deixa, tento estudar mas meu bom senso não me deixa, os jogos de celular me dão dor de cabeça. Solução? Olhar pela janela. Ver pessoas com quem nunca vou conversar, lugares onde nunca vou entrar. Dá até certa angústia, ver tanta coisa lá fora passando assim facilmente, como se não fossem tão importantes, como se não pudessem mudar a minha vida. Isso até chegar ao Eldorado.
Para quem não conhece, quando digo Eldorado, estou falando de um shopping center muito movimentado na região de pinheiros. Lá existe um ponto de ônibus que, no meu horário, costuma estar lotado. Como saio do ponto final, normalmente chego no Eldorado sentado sozinho em um dos bancos. As portas se abrem e parece que o mundo inteiro entra naquele ônibus. Essa hora já deixei de olhar pela janela e começo a olhar para a catraca. Tanta gente, tanta gente... Será que o amor da minha vida está por ali? Todo o dia olho para a cara daquelas pessoas esperando quem vai sentar do meu lado, quem vai mudar a minha vida. Ainda não aconteceu.
Desço do ônibus com o alívio da noite gelada. Não vou depressa para casa, faço hora andando bem devagar, difícil achar São Paulo assim tão calma e silenciosa, dá até vontade de deitar no chão e dormir.
sábado, 22 de agosto de 2009
Declaração
Olá marujos. Que trevas são essas nos seus olhos? O que está acontecendo? Não confiam mais no seu capitão? Há mais de um ano disse para vocês que encontrariamos terra, e assim será. Não largem os remos e não recolham as velas. Esse dia ainda irá chegar, terão o caminho da praia coberto por pétalas de flores vermelha e laranja, serão recebidos com todas as frutas que puderem imaginar. Lá farão casas, famílias, e terão orgulho de dizer que morrerão naquela terra pura, onde nem o tempo nem o espaço podem tocar.
O que faço por você é um pouco mais do que as coisas que faço por acaso, é um pouco menos do que espero para a minha vida, é um pouco mais forte do que minhas ambições.
Em minha mente, pouco espaço em reservo para você, e quando penso, teu gosto imaginário é de um ousado doce e amargo.
Nosso encontro é jogada de aparência, e em tua ausência existe vida, o mundo gira como sempre girou.
O teu olhar não tem o brilho das estrelas, são opacos, pretos, negros, e mesmo assim não tem cor alguma.
Não existe verdade nos teus gestos, e tuas verdades não são mais desejosas que qualquer outra.
Nada te prende a mim, não existem motivos para isso. Não te amo para nunca ter que te odiar.
O que faço por você é um pouco mais do que as coisas que faço por acaso, é um pouco menos do que espero para a minha vida, é um pouco mais forte do que minhas ambições.
Em minha mente, pouco espaço em reservo para você, e quando penso, teu gosto imaginário é de um ousado doce e amargo.
Nosso encontro é jogada de aparência, e em tua ausência existe vida, o mundo gira como sempre girou.
O teu olhar não tem o brilho das estrelas, são opacos, pretos, negros, e mesmo assim não tem cor alguma.
Não existe verdade nos teus gestos, e tuas verdades não são mais desejosas que qualquer outra.
Nada te prende a mim, não existem motivos para isso. Não te amo para nunca ter que te odiar.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Travesseiros
Olá marujos. Infelizmente no mar, ainda terão de enfrentar algo pior que tempestades... O escorbuto nos persegue a todo tempo, pneumonias, infecções, intoxicações alimentares... E eu com essa gripizinha chata...
-Eu te amo.
-Não, não ama.
-Amo sim.
-Você ainda nem sabe o que é amor.
-Claro que sei.
-O que é então?
-Amor... Amor é...
-O quê?
-Eu não sei dizer, mas eu sei que sei.
-Como?
-Pela vontade de fazer tudo, de viver tudo, ver sentir tudo quando eu estou do seu lado.
-E você tem certeza de que isso é amor?
-Eu...
-Tem?
-Não, não tenho.
---
-Você sabe o que é amor?
-Sei.
-Me explica então.
-Não posso.
-Por quê?
-Você não ia entender.
-Por que você não tenta?
-É complicado. Não vai fazer sentido o que eu te disser.
-Você acha que eu não consigo.
-Ninguém consegue.
-Se ninguém entende, como você sabe que é amor mesmo?
-Por que não é algo que precise de provas, de argumentos. A gente sabe quando é de verdade, não precisa que concordem.
---
-Se você sabe mesmo...
-O quê?
-Queria saber...
-Diga.
-Você me ama?
-E de que adianta você saber?
-Por que não saber?
-Você não sabe se é algo bom ou ruim, não sabe o que significa amar.
-Mas posso tentar descobrir se você disser que me ama.
-Dizer que te amo?
-Se você disser se me ama.
-Se te amo...
---
-Descobri o que é amor.
-Você acha?
-Não, tenho certeza.
-Então descobriu mesmo.
-Quer saber o que é?
-Eu não vou conseguir entender.
-Mesmo assim, quer saber?
-Tem certeza?
-Tenho.
-Então me diz.
-Amor é todo o dia em que a existência perde a voz, principalmente quando você está por perto.
-Mesmo?
-Mesmo. Eu te amo.
-Eu também te amo.
-Eu te amo.
-Não, não ama.
-Amo sim.
-Você ainda nem sabe o que é amor.
-Claro que sei.
-O que é então?
-Amor... Amor é...
-O quê?
-Eu não sei dizer, mas eu sei que sei.
-Como?
-Pela vontade de fazer tudo, de viver tudo, ver sentir tudo quando eu estou do seu lado.
-E você tem certeza de que isso é amor?
-Eu...
-Tem?
-Não, não tenho.
---
-Você sabe o que é amor?
-Sei.
-Me explica então.
-Não posso.
-Por quê?
-Você não ia entender.
-Por que você não tenta?
-É complicado. Não vai fazer sentido o que eu te disser.
-Você acha que eu não consigo.
-Ninguém consegue.
-Se ninguém entende, como você sabe que é amor mesmo?
-Por que não é algo que precise de provas, de argumentos. A gente sabe quando é de verdade, não precisa que concordem.
---
-Se você sabe mesmo...
-O quê?
-Queria saber...
-Diga.
-Você me ama?
-E de que adianta você saber?
-Por que não saber?
-Você não sabe se é algo bom ou ruim, não sabe o que significa amar.
-Mas posso tentar descobrir se você disser que me ama.
-Dizer que te amo?
-Se você disser se me ama.
-Se te amo...
---
-Descobri o que é amor.
-Você acha?
-Não, tenho certeza.
-Então descobriu mesmo.
-Quer saber o que é?
-Eu não vou conseguir entender.
-Mesmo assim, quer saber?
-Tem certeza?
-Tenho.
-Então me diz.
-Amor é todo o dia em que a existência perde a voz, principalmente quando você está por perto.
-Mesmo?
-Mesmo. Eu te amo.
-Eu também te amo.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Mundano
Olá marujos. Um dia me perguntaram, por que ser pirata? Por que estar sempre fora da lei, sempre irreconhecível? Respondi o seguinte: Por que como pirata, sou mais livre para procurar o que eu nunca vou achar. Tornaram a me perguntar, mas por que buscar algo que não pode ser encontrado? Respondi com a mesma calma: Se não posso chegar ao fim, meu objetivo nunca será alcançado, e assim, serei eterno. Aos menos renderá boas histórias.
O anjo caído arrasta suas asas pelo chão seco do sertão longínquo, e andando, cambaleante, urra para os céus: "Por que me abandonaste?"
O Sol, ardente e raivoso, condena aquela terra. Os pés nus daquele anjo trocam marcas de sofrimento com o solo. "Por que me abandonaste?"
Ainda que pesadas, o anjo se recusa a largar suas asas, e ainda que sem forças, recusa-se a cair. Continua andando, olhando para o céu. "Por que me abandonaste?"
Nenhuma vida. Nem mesmo planta ou gado, nem urubus ou obras. O bege e o azul imperam sobre os trajes brancos do anjo. "Por que me abandonaste?"
A visão perde o foco, perde a razão. O olhar sai do céu e vai para o chão alguns instantes. O anjo vê seus próprios pés, sofridos, esfolados. Larga as asas, cai. Deitado, consegue sentir a terra, ouve seus segredos, perdoa-a e pede perdão. Pede também esperança para aquele lugar que só faz sofrer, oferece sua vida em troca. Por algum tempo, acha que vê uma nuvem se formar, mas a visão embaçada engana. Quando não consegue mais enxergar, fecha os olhos, e por começar a não sentir os braços e pernas, acha que está se juntando àquela terra, tornando-se um só. Acha bom, acha justo, se entrega.
A nuvem some, não chove.
O anjo caído arrasta suas asas pelo chão seco do sertão longínquo, e andando, cambaleante, urra para os céus: "Por que me abandonaste?"
O Sol, ardente e raivoso, condena aquela terra. Os pés nus daquele anjo trocam marcas de sofrimento com o solo. "Por que me abandonaste?"
Ainda que pesadas, o anjo se recusa a largar suas asas, e ainda que sem forças, recusa-se a cair. Continua andando, olhando para o céu. "Por que me abandonaste?"
Nenhuma vida. Nem mesmo planta ou gado, nem urubus ou obras. O bege e o azul imperam sobre os trajes brancos do anjo. "Por que me abandonaste?"
A visão perde o foco, perde a razão. O olhar sai do céu e vai para o chão alguns instantes. O anjo vê seus próprios pés, sofridos, esfolados. Larga as asas, cai. Deitado, consegue sentir a terra, ouve seus segredos, perdoa-a e pede perdão. Pede também esperança para aquele lugar que só faz sofrer, oferece sua vida em troca. Por algum tempo, acha que vê uma nuvem se formar, mas a visão embaçada engana. Quando não consegue mais enxergar, fecha os olhos, e por começar a não sentir os braços e pernas, acha que está se juntando àquela terra, tornando-se um só. Acha bom, acha justo, se entrega.
A nuvem some, não chove.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
O direito a última epifania
Olá marujos. Sofri certa vez, para os que não sabiam. Sofri por um amor que teimava a acontecer, chorei quantas noites em meu convés pensando em sua imagem, no tempo em que poderiamos estar juntos. Vi-a com outro. Sinti-me como se uma lança atravessasse meu estomago e o partisse em mil pedaços. Foi a melhor sensação de toda a minha vida.
Me dou o direito de utilizar essa palavra pela última vez. Tenho usado-a tanto que acabou banalizada nos meus textos e nas minhas falas, mas agora posso dizer: terei minha última epifania. Ou melhor, tive minha última epifania e agora estou sentindo seus resultados. Como é doce ter nossa realidade esbofeteada pela verdade em tapas sangrentos. A verdade é uma cruel amiga, nos dá o que queremos sempre, muda para isso e faz com que sempre nos decepcionemos. Verdade é a melhor amiga.
Então que venha todas as epifanias, que aqui significa: momento pessoal de uma grande descoberta de uma verdade instávelmente eterna. Todos devem tê-las e assim viver angustiados, pois é o destino de todo homem e tudo o que é vivo. Angústia, solidão, vazio. Não se sintam piores por isso, é o sinal de que realmente existem, o sinal de que são matéria e obedece as leis que a nossa física julga.
A dor é forte, sei bem, mas meu desejo de sentí-las é mais, sentir todas as dores do mundo por perceber que era uma questão de tempo, sentiria-as mais cedo ou mais tarde. Então por que não transformar logo em um show aclamado de uma pirotecnia interior, que ativa todos os seus nervos e te faz contorcer em meio ao chão frio? A vida será bela quando todos sentirem tal dor, a vida não é bela, não é.
E quando não tiverem mais espaço para essa verdade dolorida, quando todos os cantos do teu corpo estiverem preenchidos, não gritem, NÃO OUSEM GRITAR, deixe que tal sensação te consuma até os últimos suspiros e quando o último suspiro chegar descobrirão a face da verdade. E não gostarão.
Me dou o direito de utilizar essa palavra pela última vez. Tenho usado-a tanto que acabou banalizada nos meus textos e nas minhas falas, mas agora posso dizer: terei minha última epifania. Ou melhor, tive minha última epifania e agora estou sentindo seus resultados. Como é doce ter nossa realidade esbofeteada pela verdade em tapas sangrentos. A verdade é uma cruel amiga, nos dá o que queremos sempre, muda para isso e faz com que sempre nos decepcionemos. Verdade é a melhor amiga.
Então que venha todas as epifanias, que aqui significa: momento pessoal de uma grande descoberta de uma verdade instávelmente eterna. Todos devem tê-las e assim viver angustiados, pois é o destino de todo homem e tudo o que é vivo. Angústia, solidão, vazio. Não se sintam piores por isso, é o sinal de que realmente existem, o sinal de que são matéria e obedece as leis que a nossa física julga.
A dor é forte, sei bem, mas meu desejo de sentí-las é mais, sentir todas as dores do mundo por perceber que era uma questão de tempo, sentiria-as mais cedo ou mais tarde. Então por que não transformar logo em um show aclamado de uma pirotecnia interior, que ativa todos os seus nervos e te faz contorcer em meio ao chão frio? A vida será bela quando todos sentirem tal dor, a vida não é bela, não é.
E quando não tiverem mais espaço para essa verdade dolorida, quando todos os cantos do teu corpo estiverem preenchidos, não gritem, NÃO OUSEM GRITAR, deixe que tal sensação te consuma até os últimos suspiros e quando o último suspiro chegar descobrirão a face da verdade. E não gostarão.
domingo, 28 de junho de 2009
Mas você é vestibulando ou não é?
Enfim, uma mensagem igual para todos os meus blogs.
Sou estudante, mais precisamente vestibulando, mais precisamente ainda futuro jornalista.
Certo, mas e aí?
Bom, decidi-me por ser jornalista mas esqueci de perceber que tenho que sofrer um pouco para isso acontecer. Então, hoje, dia 28 de junho de 2009 vi que não vou conseguir ser um jornalista, nem vou conseguir ser ouvido, com o devido respeito a todos os que lêem minhas páginas. Não é mais uma confissão deprimente de um garoto gordinho, o fato é que eu não tenho dado importância o suficiente para os elementos que eu precisarei para chegar aonde eu quero.
Certo, mas, de novo, e aí?
Eu sei o que eu quero da vida, sei sobre minhas capacidades, sei o que falta para eu chegar lá, sei aonde devo pisar e todas as pedras falsas e bostas que posso encontrar pelo caminho. Eu só preciso por em prática, preciso sair dessa zona de conforto e me deixar desequilibrar.
Certo, mas aonde você quer chegar?
Não digo que estou parando de escrever em blogs, mas é algo que pode acontecer, já que a falta de internet me obriga a ler mais jornais escritos e utilizar minha máquina de escrever, progressos a meu ver.
E a conclusão é?
Coisas estão para acontecer, coisas podem mudar, outras nem tanto. Ninguém precisa comunicar isso, mas é interessante falar isso de vez em vez para fixar na cabeça. Vou fazer tudo o que for necessário e até mais para chegar aonde eu quero, e posso garantir que parir um bom jornalista não é fácil.
Então, vou dormir, acordar, aprender algo e escrever. Jornalismo quem sabe...
Sou estudante, mais precisamente vestibulando, mais precisamente ainda futuro jornalista.
Certo, mas e aí?
Bom, decidi-me por ser jornalista mas esqueci de perceber que tenho que sofrer um pouco para isso acontecer. Então, hoje, dia 28 de junho de 2009 vi que não vou conseguir ser um jornalista, nem vou conseguir ser ouvido, com o devido respeito a todos os que lêem minhas páginas. Não é mais uma confissão deprimente de um garoto gordinho, o fato é que eu não tenho dado importância o suficiente para os elementos que eu precisarei para chegar aonde eu quero.
Certo, mas, de novo, e aí?
Eu sei o que eu quero da vida, sei sobre minhas capacidades, sei o que falta para eu chegar lá, sei aonde devo pisar e todas as pedras falsas e bostas que posso encontrar pelo caminho. Eu só preciso por em prática, preciso sair dessa zona de conforto e me deixar desequilibrar.
Certo, mas aonde você quer chegar?
Não digo que estou parando de escrever em blogs, mas é algo que pode acontecer, já que a falta de internet me obriga a ler mais jornais escritos e utilizar minha máquina de escrever, progressos a meu ver.
E a conclusão é?
Coisas estão para acontecer, coisas podem mudar, outras nem tanto. Ninguém precisa comunicar isso, mas é interessante falar isso de vez em vez para fixar na cabeça. Vou fazer tudo o que for necessário e até mais para chegar aonde eu quero, e posso garantir que parir um bom jornalista não é fácil.
Então, vou dormir, acordar, aprender algo e escrever. Jornalismo quem sabe...
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