domingo, 1 de novembro de 2009

O amor da minha vida pega ônibus no Eldorado

Olá marujos. Alguém já conseguiu achar? Não? Por onde anda aquela estrela que tem guiado nossa viagem? Nuvens cruéis... Para que isso? O que podem ganhar me separando daquela que brilha e faz luz? Nunvens cruéis, cruéis...

Aos poucos tenho me acostumado com essa rotina de ônibus. Não que não pegasse ônibus antes, pegava sim uma vez ou outra, mas todo dia é outra história. Cotumava ir e voltar do colégio com uma pirua escolar, não precisava de muito mais que isso. Qualquer outra atividade que eu pudesse fazer no período da tarde eu dava um jeitinho para me locomover, com carona, o que conseguisse.
No entanto, nos últimos seis meses minha vida mudou muito, mudei de casa, de bairro, de cidade e supreendentemente continuei no mesmo colégio. Daí a dificuldade em achar outra pirua. Acabei tendo que pegar ônibus mesmo, nem reclamei, já estava na hora mesmo.
Minha rotina é bem complicada (sei que muitos não vão achá-la tão complicada assim, mas perdoem esse garoto que ainda não viveu tudo). Apesar de existir um ponto de ônibus na frente do meu apartamento, sou obrigado a andar durante 20 minutos até uma rodovia próxima para pegar um ônibus intermunicipal. Com o passar dos dias, o tempo aparente vai diminuindo, estou tão acostumado que quando saio de casa mal percebo o andar nas calçadas, o atravessar as ruas, o desmaiar dos bêbados.
O primeiro ônibus que eu pego já foi bastante interessante. Isso por que eu sempre encontrava alguém para conversar, professores do meu colégio na maioria, alguns colegas, mas principalmente uma estudante de letras que costumava ler meus textos. Foi para a Itália e os ônibus cheios começaram a perder a graça. Troquei por um mais caro, mas que vai muito mais vazio.
O segundo ônibus é aquele que pego depois da aula para ir ao cursinho. Torço todo o dia para que esteja vazio, ou pelo menos com uma cadeira vazia. Isso por que é um dos poucos momentos que eu tenho para dormir e como desço no ponto final, não preciso me preocupar. Quando não durmo é por que estou voltando com um amigo do colégio que gosta de discutir sobre uma infinidade de assuntos. Troco fácil uma noite de sono por uma boa discussão.
Meu último ônibus eu pego já de noite, por volta das nove horas. Não tenho clima para conversas ou discussões, tento ler livros mas o cansaço não me deixa, tento estudar mas meu bom senso não me deixa, os jogos de celular me dão dor de cabeça. Solução? Olhar pela janela. Ver pessoas com quem nunca vou conversar, lugares onde nunca vou entrar. Dá até certa angústia, ver tanta coisa lá fora passando assim facilmente, como se não fossem tão importantes, como se não pudessem mudar a minha vida. Isso até chegar ao Eldorado.
Para quem não conhece, quando digo Eldorado, estou falando de um shopping center muito movimentado na região de pinheiros. Lá existe um ponto de ônibus que, no meu horário, costuma estar lotado. Como saio do ponto final, normalmente chego no Eldorado sentado sozinho em um dos bancos. As portas se abrem e parece que o mundo inteiro entra naquele ônibus. Essa hora já deixei de olhar pela janela e começo a olhar para a catraca. Tanta gente, tanta gente... Será que o amor da minha vida está por ali? Todo o dia olho para a cara daquelas pessoas esperando quem vai sentar do meu lado, quem vai mudar a minha vida. Ainda não aconteceu.
Desço do ônibus com o alívio da noite gelada. Não vou depressa para casa, faço hora andando bem devagar, difícil achar São Paulo assim tão calma e silenciosa, dá até vontade de deitar no chão e dormir.

1 Bilhetes em garrafa:

Maria Joana disse...

Ah, é, eu coloquei o comentário anterior (do post anterior) no texto errado. XD Deveria ser nesse.

Ahh, amor. É fácil realmente falar dele. As palavras parecem sair da boca gostosas quando se fala de amor. Doces e mornas. Pensa só, a maioria das músicas no mundo são feitas por causa dele! E como dizer qual fala de um amor mais.... amor?

Só que chegou pra mim o momento de guardar o doce só pra mim. Guardar as palavras... o sabor. Que amor, fazer o quê, também é egoísta.